NOTA DA ExNEL DE APOIO AO FORA ARRUDA E TODA A MÁFIA

Com colaboração do estudante de Letras da Universidade de Brasília Diogo Ramalho, membro da comissão de comunicação do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia.

Em 27 de novembro de 2009, veio a tona uma mega operação da polícia federal, com 29 mandatos de busca e apreensão em 16 endereços da capital, dentre eles, Câmara Legislativa, o Palácio do Buriti e a Residência Oficial do Governador Arruda. Nesse momento, iniciou-se então uma longa batalha contra a corrupção, representada nessa grande máfia, instalada nos três poderes do Distrito Federal. Neste mesmo dia, acontecia a desocupação do gabinete da presidência da FUNAI – que, no dia anterior, tinha sido a primeira ocupação de não índios da FUNAI. A pauta dos ocupantes e membros da sociedade civil: demarcação do santuário indígena pela FUNAI, que são constantemente ameaçados e reprimidos por tratores a mando de Arruda e Paulo Octavio, o exterminador do Cerrado e dos Índios – Setor Noroeste.

No dia 02 de dezembro de 2009, quarta-feira, um ato de protesto popular foi realizado em frente à Câmara Legislativa, resultando na ocupação de toda a casa do povo por cerca de 500 cidadãos indignados. A ocupação demorou seis dias de muita luta e resistência aos constantes golpes da direita e ameaças de intervenção policial.

A Câmara se transformou em uma grande Assembléia Popular, onde todos os dias aconteciam inúmeros debates e manifestações sociais.

No sexto dia de ocupação, todas e todos foram retirados indevidamente, pois em nada atrapalhavam que as seções ocorressem. Devido à ordem de Arruda, funcionários comissionados do Governo foram à Câmara e agrediram  os ocupantes, forçando  a ação policial de desocupação que até então não havia sido realizada por falta de legitimidade. Retirados à força, no dia 8 de dezembro de 2009, os ocupantes que compunham o movimento saem da Câmara Legislativa (CL-DF), carregados pelos policiais, para ocupar as ruas.

No dia seguinte à desocupação, em ato de protesto popular em frente ao Palácio do Buriti, os cidadãos brasilienses exercendo seu direito constitucional de protestar, foram duramente espancados pelo BOPE da Polícia Militar que usou, contra a população indefesa, bombas de gás, balas de borracha, spray de pimenta e cavalaria para reprimir da forma mais desnecessária e violenta um protesto pacífico que contava com a participação de cerca de 5 mil pessoas.

Depois da Batalha do Buriti, os protestos de toda a sociedade brasiliense seguiram de diversas maneiras mesmo nos feriados de Natal e Réveillon, tão próximos. Grande parte das manifestações foi resultado do O Movimento Fora Arruda e toda Máfia que ainda conseguiu, antes das festividades, fazer dois grandes protestos na Rodoviária do Plano Piloto, um da rodoviária pela Esplanada dos Ministérios e até escrever com pessoas o FORA no Congresso Nacional e realizar um Carnaval Fora Arruda na Rodoviária que ganhou a simpatia de toda a população.

Manifestações populares de repúdio à corrupção foram estampadas de diversas formas pela população, essas eram feitas desde faixas em apartamentos e adesivos nos veículos a fogo em pneus, interditando parcialmente vias de acesso a cidade. A população brasiliense mostrou sua indignação contra os envolvidos nas denúncias de corrupção.

No mês de janeiro, quando grande parte das mobilizações é inibida por ser um período de férias e viagens, o então governador, Arruda, se surpreendeu ao ver, por todo o mês de janeiro, manifestações populares variadas exigindo por justiça. Diversas manifestações chamaram a atenção da população brasiliense, tais como, vigílias na Câmara Legislativa, depósito de sacos de esterco em frente a CL-DF e protestos que eram feitos em frente das casas dos envolvidos no sistema de corrupção.

Além das manifestações organizadas, diversas demonstrações sociais isoladas de indignação foram registradas pela população brasiliense, como: queima de pneus e painéis dos 50 anos de Brasília; pichações que a todo dia eram retiradas pelo GDF e rabiscadas de novo.

O até então governador, Arruda, não perdeu tempo para reprimir com toda a força que o estado podia lhe conferir: contratou criminosos diariamente para ameaçarem de linchamento e morte aqueles que chegassem perto da Câmara Legislativa e que fosse contrário ao Arruda; organizou um verdadeiro aparato de repressão com gabinete da crise e gabinetes secretos de inteligência; usou o Diário Oficial para dar Gratificação aos Polícias Militares, três dias depois da repressão do Buriti; baixou o IPTU e IPVA de toda a população antes da virada do ano; em meados de Janeiro, implementou algo que nunca cogitou nem dialogar com o movimento estudantil – o passe livre – só em horário de aula. Arruda notavelmente tentou usar todo o dinheiro da corrupção para comprar silêncios e versões. Um caso desses foi amplamente divulgando e levou a prisão de Arruda, quando, ingenuamente, confiou no melhor amigo de Durval Barbosa e de seu pai, Roriz: o Sombra. Arruda deu, por meio de seu próprio sobrinho, que também era seu assessor oficial, um carinhoso bilhete ao Sombra como prova de que ele mesmo, Arruda, garantia o pagamento da propina para que Sombra divulgasse a informação de que os vídeos com gravações de Arruda eram falsificados.

Em fevereiro de 2010, as manifestações aumentaram. No dia 10, quarta-feira, dois meses e um dia depois do espancamento do Buriti, estudantes e trabalhadores, reunidos em torno de Show de protesto do João Gordo, tomaram novamente às ruas e para espanto geral, mesmo parando o trânsito da principal avenida da Capital, o Eixo Monumental, às 18:30h, dessa vez, a polícia do governador respeitou o protesto pacífico e desviou o trânsito. Cerca de 500 pessoas foram na contramão no Eixo Monumental, passando pela Rodoviária e Esplanada dos Ministério até o Supremo Tribunal Federal para cobrar cadeia para Arruda. Duas horas e meia de passeata que recebeu palmas da maioria dos cidadãos na Rodoviária do Plano Piloto e buzinadas de apoio da grande maioria dos motoristas que mesmo aborrecidos pelo congestionamento quilométrico, apoiavam e se colocavam por alguns instantes no protesto com um grito, uma palma e uma buzina de indignação.

Com dois poderes (legislativo e executivo) completamente comprometidos pelas acusações de corrupção e com diversas manifestações sociais, no outro dia, o Superior Tribunal de Justiça decidiu por ampla maioria pela prisão de Arruda.

Com a possibilidade de Arruda ser solto e receber um Habeas Corpus, os integrantes do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia ocuparam, às 17h, dessa quinta-feira, toda a entrada do Supremo Tribunal Federal. Permaneceram ocupando, com a ameaça de desocupação, cercados e isolados pela polícia militar. Só desocuparam ao meio dia de sexta-feira, quando veio a notícia que o Habeas Corpus foi negado e Arruda passaria o carnaval preso.

Da prisão até então, o Distrito Federal teve três governadores em 12 dias e atualmente é comandando pelo escolhido de Arruda, Wilson Lima, eleito pela Câmara Legislativa que provavelmente é a mais corrupta do país.

O Movimento Fora Arruda e Toda Máfia segue na Luta para a punição Paulo Otávio e de todos os 10 deputados, que devem ser presos, juntamente com o deputado Geraldo Naves.

A Executiva Nacional dos Estudantes de Letras – ExNEL – apóia e participa da Luta do Fora Arruda e toda Máfia e se posiciona, seguindo as deliberações do Conselho Nacional das Entidades de Letras e Encontro Nacional dos Estudantes de Letras contra:

– Qualquer ato de criminalização dos movimentos sociais;

– Repressão violenta contra manifestações sociais;

– Corrupção e desvio do dinheiro público.

Solidarizamo- nos com os estudantes que estão envolvidos na causa e lutando por mudanças no governo corrupto de Arruda e convocamos todos os estudantes de Letras e outros integrantes de movimentos sociais a divulgarem e participarem das próximas manifestações.

27 de fevereiro de 2010,

ExNEL – Executiva Nacional dos Estudantes de Letras

Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro – ICC Sul, sala b T 222, CALET

http://www.exnel.org. br

http://exnel. blogspot. com

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Uma resposta to “NOTA DA ExNEL DE APOIO AO FORA ARRUDA E TODA A MÁFIA”

  1. Gougon Says:

    Acabo de chegar da manifestação à frente do luxuoso prédio da pretensa Assembléia Distrital de Brasília. A manifestação (a primeira de uma série) foi um sucesso. Uma rádio patrulha foi ao local, a chamado de um funcionário da Via Engenharia, construtora do prédio milionário. “Os senhores não vão prender os manifestantes”, indagou o funcionário. “Eles estão estragando o patrimônio”. O policial respondeu:”ESTRAGADO ISSO VAI FICAR NA HORA EM QUE OS DISTRITAIS RESOLVEREM ENTRAR NO PRÉDIO”. Os manifestantes bateram palmas e continuaram o movimento pacificamente pela modificação da destinação do prédio, que não mais seria ocupado pelos distritais, mas sim pela criação de um CENTRO DE ESTUDOS DE ÉTICA E CULTURA (ou algo mais que seja do interesse real da comunidade brasiliense). A luta continua. Um abraço a todos, Gougon

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